LEITURA: O PRÍNCIPE CATIVO

 A trama regencial e erótica de “O Príncipe Cativo” me cativou?

 


Já tem um tempo desde que me interessei em ler a trilogia “Príncipe Cativo”, mas foi apenas em novembro do ano passado que eu consegui comprar um box com os três livros, além de um volume extra com histórias extras. Apesar disso tudo, consegui ler o primeiro volume apenas agora em janeiro.

Príncipe Cativo é uma trilogia escrita pela autora C.S. Pacat e o primeiro volume intitulado “O Príncipe Cativo” vai seguir a trajetória de Damianos (ou Damen), o príncipe do reino de Akielos que, depois do seu meio-irmão, Kastor, armar um golpe de estado para ficar com o trono, é enviado ao reino de Vere como presente para apaziguar a rivalidade. Acontece que Damen é mandado como presente para o príncipe de Vere, Laurent, que odeia o reino de Akielos.

 

O mundo criado por C.S. Pacat se baseia um pouco na Idade Média, mas sem pudor rigoroso nessa época em relação ao sexo, ainda mais quando falamos de relações homossexuais. É um mundo erótico onde as relações entre homens e mulheres são valorizadas para procriação legítima (eu uso o termo legítima porque no livro é citado que nesse reino, culturalmente, filhos fora do casamento não são vistos como filhos legítimos), mas as relações com o mesmo sexo são permitidas entre mestre e escravo, apenas para cultivar o prazer carnal.

Fui ler essa história com certa expectativa, o que é ruim porque a expectativa pode colocar um véu sobre nossas vistas e impactar na compreensão da obra por não suprir essa expectativa, então, podemos chegar a conclusão de que o que lemos não seja bom porque a expectativa gerada antecipadamente não foi suprida. Apesar disso, minha experiência nessa leitura foi positiva, confesso que não era o que eu esperava, mas a leitura foi agradável e ela cumpriu o dever primário de qualquer ficção, fui entretido enquanto eu lia.

Quando eu ouvia falar sobre esse livro ou lia alguma coisa, sempre via um comentário dizendo que as capas (as primeiras capas) enganavam os leitores porque parecia uma história de guerra medieval, soldados e muito sangue quando se trata de um romance entre dois príncipes. Eu comecei a ler o livro esperando encontrar justamente isso, um romance no sentido romântico, mas logo nas primeiras páginas eu me deparei com cenas que não me deixaram chocados porque eu li umas coisas no curso de letras que me tiraram essa “virgindade” de cenas chocantes, mas fiquei pensativo sobre como que tudo o que as pessoas diziam sobre a história iria se encaixar com aquele começo.

Não vou mentir que eu tenho a tendência de simpatizar muito mais com Damen porque ele é quase um herói trágico de folhetim, ele é o clássico personagem pelo qual vamos torcer porque ele sofre por injustiças da sua vida. Se toda história de vingança contemporânea bebe um pouco de “O Conde de Monte Cristo”, eu não acharia impossível uma comparação entre Damen e o protagonista da obra de Alexandre Dumas, pois acabamos torcendo pelos dois pelo mesmo motivo. É uma trama cheia de personagens interessantes e com camadas, mas também são camadas óbvias, o que não deixa a história ruim. Como eu já disse muitas vezes, muitas tramas já foram contadas e muitos arquétipos de personagens já foram criados e o que deixa a história interessante é como essas coisas serão usadas. Nesse livro, tudo foi muito bem misturado e cativante. Dito isso, apesar de eu simpatizar muito com o protagonista narrador, eu não consigo engolir o outro príncipe, Laurent. Ele é o tipo de personagem frio demais, calculista demais que chega a ser incompreensível, para mim, acreditar que exista algum calor nele. Eu não li o segundo volume ainda, mas com certeza isso vai ser desenvolvido a partir dele.

Não só os dois príncipes são interessantes, mas os personagens a sua volta também conseguem ter camadas, conseguem nos despertar interesse para saber mais deles. Até mesmo os guardas que, nesse primeiro volume, aparecem muito pouco.

O plot twist não é muito original se fomos pensar profundamente nele porque se você tem experiência lendo histórias que se passam em cortes e entre a nobreza medieval, vai entender o que está acontecendo ali. O caminho até esse plot twist que é interessante e eu acho que fazer isso é ainda mais difícil do que inventar algo muito mirabolante para causar impacto. Eu já esperava acontecer o que acontece perto do final do livro, mas todo o desenho que autora fez para que isso se realizasse, foi o que me fez guardar na cabeça a informação que recebi.

Ainda assim, como eu apreciado a leitura, ainda assim eu acho que faltou alguma coisa nesse primeiro volume. Eu acredito que eu fiquei com o gosto do romance que me prometeram na boca, eu sei que isso deva acontecer a partir do segundo volume e eu bato palmas para a autora por ter desenvolvido toda a relação dos dois príncipes nesse primeiro volume, mas essa situação de vem aí e não venho, me deixou com essa sensação de que faltou alguma coisa. Eu sei que isso é pessoal meu, talvez para outra pessoa não vá fazer falta, mas para a minha pessoa fez.

O que eu esperava ler foi diferente do que eu li, ainda assim o livro me cativou e me causou interesse, o suficiente para eu querer ler o segundo volume (além do dinheiro que gastei no box), porém não vou ler agora a continuação, eu vou esperar um pouco e retornar a esse universo em breve. Eu não tenho o costume de dar notas as minhas leituras, mas nesse ano que acho que vou fazer um pouco diferente. Tenho que aprender a valorizar minha opinião também, não é? Em uma escala de 1 a 4 estrelas, eu dou 4 estrelas para o primeiro volume da trilogia Príncipe Cativo.

Comentários

  1. Interessada no livro após sua resenha, Ritter! Como será que foi pra Laurent ser assim? Li em algum lugar elogios pra essa obra.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Por que olhar para os lírios do campo?

Uma nova visão para a clássica peça de William Shakespeare

A estética de "Reduto" vs o conteúdo