"Heartstopper: Forever" é um bom filme, mas merecia ser uma série


    No dia 17/07, estreou na Netflix o filme “Heartstopper: Forever” que encerra a série baseada nos quadrinhos criados por Alice Oseman.


No filme, nós vamos acompanhar o último ano escolar de Nick e como ele e Charlie lidam com a distância iminente que vai existir entre os dois. Ao mesmo tempo, vamos ter algumas pinceladas do que está acontecendo com os outros personagens que também se preparam para essa grande mudança.

O primeiro ponto que eu tenho que apontar foi o fato de que o filme, diferente da série, aposta muito mais em cenas quentes. Talvez porque Nick e Charlie agora estão mais amadurecidos ou porque os atores estão mais velhos ou por um efeito “Heated Rivalry”, eu acredito que possam ser as duas coisas. Outra coisa que eu preciso apontar, talvez seja esse o pontapé inicial do meu texto, o filme é bom, mas teria sido melhor se fosse uma temporada convencional da produção.

Uma coisa que eu sempre gostei em Heartstopper é como a série conseguia trabalhar os outros personagens, apesar dos oito episódios por temporada, eu sempre terminei uma temporada com a sensação de que tudo que queria ser contado naquela leva de episódios foi contado. O foco sempre foi o Charlie e o Nick, eles nunca perderam espaço, mas o grupo de amigos sempre teve momentos de destaque. No filme esses destaques são mostrados, mas de uma maneira muito menor do que em comparação a série. Claro que é porque é um filme, mas quando o roteiro tenta trabalhar isso e no final a gente fica com a sensação de que coisas foram perdidas. E realmente, perdemos uma temporada inteira.

Agora vem o momento amargurado. Eu sei que eles são adolescentes e que a falta de comunicação em um relacionamento adolescente é comum, em relações entre pessoas adultas também é muito comum, mas o conflito do filme que é estourado no meio para o final é uma barriga. Eu acho que esse conflito poderia ser feito de outra maneira, eu não queria que não houvesse o conflito, mas da maneira que foi feito não foi do meu agrado. Talvez, se a catarse do que aconteceu entre os dois personagens tivesse mais camadas envolvendo a situação deles, teria sido do meu agrado.

Achando ou não o meio do filme uma barriga, ele encerra a série como ela deve ser encerrada. Heartstopper não é uma série que se propõe a relatar de forma real, como “Young Royals” e coloco essa produção como contraponto porque na internet as pessoas tendem a comparar muito as duas. A história de Charlie e Nick é um conto de fadas adolescente, então, precisava ter um final feliz onde os protagonistas superam as barreiras que os impede de ficar juntos e nesse universo é uma barreira mais interna do que externa, mas o final é o final que Heartstopper tem que ter.

Em resumo, apesar de uma coisa que não me agradou ao decorrer do filme, eu gostei do pacote como um todo, pois como eu sempre penso desde a primeira temporada, é uma história para ser um conto de fadas no seu sentido moderno, é uma história romântica que os jovens precisam ter como referência porque somos muito carentes de representações positivas de casais homoafetivos. Quantas histórias românticas com casais gays têm representações tão positivas e que mostram que a conversa em um relacionamento é importante? Nos estendendo até as séries BL asiáticas, há pouco e as coisas vêm mudando de forma gradativa. Eu nunca vou ter coisas negativas a dizer a esse título, pois eu acredito que é uma produção necessária e também porque eu gosto muito da história.

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